Atualizado em 05/02/2026 – 14:30
Quando a cidade entra no clima de carnaval, Vitória prova mais uma vez que o carnaval de rua não é concessão do poder público, mas resultado direto da força do povo e da cultura capixaba. Mesmo assim, o movimento segue enfrentando resistências de figuras que não apenas desprezam a festa, mas também a própria ideia de cultura popular ocupando o espaço público.
São os mesmos que torcem o nariz para feiras literárias, exposições, arte e educação. Sabemos quem são e o que representam.
O carnaval de rua da capital resiste a ataques frontais e também aos mais sutis, mascarados de “apoio” ou de ações que, na prática, esvaziam e enfraquecem a festa. Ano após ano, às vésperas do início, surgem entraves, mudanças de última hora e a ausência de um planejamento sério e contínuo que pense o evento para além da edição seguinte.
Quanto a Prefeitura de Vitória investe, de fato, no carnaval de rua? Em comparação com capitais como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, nossos vizinhos de região, é possível dizer que temos a mesma estrutura, organização e retorno econômico? Curiosamente, são essas mesmas figuras que celebram indicadores econômicos quando Vitória supera outras cidades. Comparar, portanto, também deveria valer para a cultura.
Há espaço, e necessidade, para um investimento muito maior. Com mais estrutura, seria possível ampliar dias e horários, garantir mais segurança e reduzir impactos aos moradores. O resultado seria simples e concreto: mais festa, mais circulação de pessoas, mais geração de renda e mais vida para a cidade.
Não gostar de carnaval é uma escolha individual e legítima. O problema começa quando essa visão pessoal se transforma em política pública e passa a atacar um dos principais motores culturais e econômicos da capital.
Muitos dos que desqualificam o carnaval de rua exaltam aquilo que chamam de “exclusividade”. Aplaudem festas em Salvador, Florianópolis ou qualquer destino que exija altos custos, camarotes fechados e acesso restrito. A ocupação popular, diversa e democrática dos blocos de rua representa exatamente o oposto do que defendem.
Ainda assim, o carnaval de rua de Vitória resiste. E resiste porque é expressão de pertencimento, identidade e vitalidade urbana. A multidão que ocupa o Centro não apenas celebra, ela afirma que a cidade é feita para ser vivida.
O recado é claro: a cultura popular não pede licença. Ela acontece, apesar de quem tenta contê-la.

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