Um cheiro, um som ou uma imagem anotados em um caderninho podem ser o começo de uma música. A dica de Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, foi uma das orientações compartilhadas com compositores na noite desta quinta-feira (29), durante o Formemus, em Vitória. Ao lado de Michael Sullivan, parceiro de Paulo Massadas em sucessos como “Lua de Cristal” e “Whisky a Go-Go”, e de Manno Góes, autor de “Praieiro”, a artista falou sobre inspiração e os caminhos que uma canção percorre entre a criação e a geração de renda.
O encontro integrou a oitava edição do evento e contou também com Geraldo Viana, da União Brasileira de Compositores (UBC). Entre histórias de carreira e orientações sobre direitos autorais, os participantes abordaram cuidados importantes para quem deseja transformar composições em trabalho. Confira algumas das dicas:
Tenha um caderninho para guardar ideias
Para Fernanda Takai, a inspiração pode estar nas experiências mais simples do cotidiano. Por isso, vale registrar sensações e observações antes que elas escapem da memória.
“Meu conselho é anotar tudo em um caderninho, um cheiro, som, uma imagem. Tudo isso pode ser material para a música”, disse a cantora, compositora e multi-instrumentista.
Cuide dos dados que identificam sua música
Cantor, compositor e um dos fundadores do Jammil e Uma Noites, Manno Góes chamou a atenção para os detalhes que ajudam a identificar corretamente uma obra, incluindo seu título.
“Muitas vezes a gente faz uma música e registra como ‘saudade’, ‘amor’, sem lembrar que existem milhares com mesmo título”, afirmou.
A coincidência de títulos, por si só, não impede o recebimento de direitos autorais. A orientação é cuidar do conjunto de informações do cadastro, mantendo completos e corretos os dados que identificam a composição e seus autores.
Documente suas composições e busque orientação
Geraldo Viana reforçou a importância de organizar as informações sobre a criação e procurar orientação sobre os procedimentos de cadastro.
“Documente bem a sua música, cadastre sua obra musical”, recomendou.
A proteção autoral existe independentemente de registro. Documentar a autoria, porém, ajuda a preservar informações sobre a criação, enquanto manter os cadastros atualizados é importante para a gestão dos direitos e a identificação de quem deve receber pela utilização da música.
Entenda a diferença entre a música e sua gravação
Outro assunto abordado por Geraldo Viana foi o ISRC, código que identifica o fonograma, ou seja, uma gravação específica. Ele não deve ser confundido com a identificação da composição.
Uma mesma música pode ser gravada por diferentes artistas ou ganhar versões de estúdio e ao vivo. Cada gravação tem seu próprio ISRC. Compreender essa diferença ajuda o compositor a buscar os procedimentos adequados para cadastrar sua obra e, quando for o caso, suas gravações.
Uma canção pode ir além do que seu autor imagina
Além das orientações práticas, a conversa trouxe reflexões sobre o que acontece quando uma composição encontra o público. Michael Sullivan, que também assina “Deslizes” em parceria com Paulo Massadas, destacou a autonomia que uma canção ganha ao chegar a outras vozes e ouvintes.
“A música sabe seu próprio rumo. Depois de compor, ela sempre ganha asas por aí, e não pertence mais a você. Precisamos estar preparados para isso.”
O Formemus reúne artistas e profissionais do mercado musical para compartilhar experiências, discutir os desafios do setor e aproximar compositores, intérpretes e outros agentes da música.
Para Daniel Morelo, diretor do Formemus, a presença desses convidados aproxima os artistas capixabas de experiências que ajudam a compreender o funcionamento do mercado. “São profissionais que criaram ou interpretaram músicas que fazem parte da vida de milhões de brasileiros. Recebê-los no Formemus permite que nossos compositores conheçam também o trabalho que existe por trás desses sucessos: as decisões, os aprendizados e os cuidados necessários para construir uma carreira”, afirma.
Feito no Espírito Santo.




