O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou Flávio Bolsonaro (PL) contra a parede no debate da TV Bandeirantes deste domingo (18). Diante das acusações de corrupção, Lula propôs que os dois abrissem, já no dia seguinte, seus sigilos bancário e telefônico, incluindo os das próprias famílias.
"Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família", disse o presidente, que sugeriu entregar os dados aos presidentes do STF e do TSE. Para Lula, a medida permitiria ao eleitor "descobrir quem é ladrão neste país" antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio não aceitou o desafio. Em vez de responder, partiu para acusações contra o presidente e sua família. Lula voltou à carga no terceiro bloco: "Em vez de falar, prove que é honesto".
Os R$ 134 milhões de Vorcaro
Lula também cobrou do senador explicações sobre os R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ligados ao filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Investigado desde julho em inquérito sobre esse financiamento, Flávio nega irregularidades. No debate, limitou-se a dizer que o dinheiro foi para a produção e ofereceu ao presidente uma cortesia para assistir ao filme.
Quando Flávio citou o filho do presidente, Fábio Luís, no caso do INSS, Lula respondeu que ele colocou os dados bancários e o celular à disposição dos investigadores e que não vai proteger nenhum familiar.
Coerência desde setembro
O desafio repete a postura que Lula adota desde setembro, quando defendeu a quebra completa dos sigilos de todos os envolvidos no caso Master, "doa a quem doer". A abertura proposta no debate é voluntária e depende de cada candidato aceitar.
O embate ocorre em uma reta final disputada. Pesquisa Vox Brasil divulgada neste domingo aponta Lula com 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio.
Feito no Espírito Santo.



