Como parte de um projeto de ressocialização, as internas Centro Prisional Feminino de Colatina (CPFCOL) escreveram contos que agora estão reunidos no livro “Histórias de Mãe e Filha”. A obra foi lançada pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e o Instituto Estadual de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos (Iema).
Os contos escritos por essas mulheres e reunidos na obra narram histórias de amor e os desafios e significados presentes nas relações entre mães e filhas. Para Thais Mendes da Silva, autora do conto “Amor incondicional”, ter seu texto em um livro é um sonho.
“Um dia eu sonhei que estava escrevendo um livro e esse sonho virou realidade. Na época pensei que era um sonho bobo, porque nunca tinha pensado em fazer uma faculdade e nem mesmo tinha terminado os estudos. Passaram-se alguns anos e o caminho que segui me trouxe para dentro de uma prisão. Hoje eu sei costurar, faço bonecas, sei um pouco de crochê, faço caminhas pets, tenho seis certificados. Tudo isso conquistei dentro da unidade prisional. Hoje, estou no segundo ano do Ensino Médio e penso em fazer faculdade de Estética. Vejo que um sonho que pareceu ser bobo anos atrás, não era tão bobo assim, se tornou realidade. Escrevi um livro que agora está sendo publicado. Sinto muita alegria, satisfação, orgulho!”, declarou.
A produção da obra se deu a partir da realização do projeto Aconchego Lúdico, que acontece na Unidade prisional de Colatina. Nele, as internas atuam na confecção de fantoches, caixas sensoriais, jogos, livros e dedoches que promovem a aprendizagem de crianças da Educação Especial e Infantil de escolas do município. A Gerência de Educação Ambiental do Iema (GEA) é parceira do projeto e também coordenou a produção do livro com as participantes do Aconchego Lúdico.
A diretora do Centro Prisional Feminino de Colatina (CPFCOL), Dayany Rodrigues de Queiroz, ressalta que o livro “Histórias de Mãe e Filha” simboliza muito mais do que a conclusão de uma meta de um projeto.
“Essa produção vai além disso, é um reflexo do potencial transformador que a educação e a expressão criativa podem ter no processo de ressocialização. Este livro é uma prova de que, com apoio, acolhimento e as oportunidades certas, todos podem reescrever suas histórias. É um símbolo de que todos têm a capacidade de aprender, de crescer e de se reinventar, independentemente das circunstâncias em que se encontram. Serve também de instrumento de inspiração para todas e todos, dentro e fora deste espaço, de que a mudança é possível, e que o primeiro passo é acreditar em si mesmo e no poder da educação”, destacou.
Cerimônia de lançamento
O evento de lançamento, realizado na última quarta-feira (26), contou com um apresentação do Coral Maria Marias, composto por internas do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC) e conduzido pela maestrina Simone Vaz Lopes.
Além disso, a Diretora-Adjunta da Polícia Penal do Espírito Santo, Graciele Sonegheti, conduziu uma palestra intitulada “Mulheres encarceradas: desafios e superações”.
A servidora, que possui formação em Psicologia e policial penal há 14 anos discorreu sobre os motivos que levam muitas mulheres ao aprisionamento, os desafios de ser mulher aprisionada e as superações oportunizadas pelo programa de ressocialização ofertado pela Secretaria da Justiça (Sejus).
“Atualmente, o sistema prisional realiza a custódia de cerca de mil mulheres. Os motivos que levam essas mulheres ao cárcere são, em sua maioria, o envolvimento com companheiros ligados ao crime de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Muitas delas também foram vítimas de violência e viviam em um cenário sem muitas oportunidades. Outras, também precisam passar pelos desafios da maternidade na prisão, seja na gestação ou com a separação dos filhos, além de tantas outras dificuldades que o encarceramento impõe. Em contrapartida, essa reclusão também oferece momentos de reflexão e oportunidades que levam à transformação de vidas. É também no cárcere que muitas dessas mulheres conseguem resgatar o vínculo com suas famílias, são capacitadas profissionalmente para o mundo do trabalho, com oferta da educação formal e oportunidades de reinserção social”, declarou Sonegheti.
Contos publicados:
Livro “Histórias de Mãe e Filha”:
Sem julgamentos
Diário de uma Mãe
Diário de uma filha
Joia rara – Francielle Felix Silva
Novos Sonhos – Mônica de Sá
Amor incondicional – Thais Mendes da Silva
A alegria é passageira, mas nenhum sofrimento será eterno – Cristina Souza dos Santos
Histórias de uma mãe apaixonada pelos filhos – Luana Almeida da Silva
A melhor mãe do mundo – Derlane Martins Faria
Uma grande história de amor – Edgley de A. Pereira
Há tempo para tudo – Glauciete dos Santos Souza

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