Mulheres e meninas a partir de 14 anos em situação de violência doméstica, familiar ou sexual passam a contar com um novo fluxo de atendimento integrado no Espírito Santo. A estratégia Rede Abraço Mulher e as Polícias Civil, Militar e Científica firmaram uma parceria para agilizar o encaminhamento de vítimas entre os serviços de segurança pública e os Centros de Acolhimento e Atenção Integral sobre Drogas (CAADs).
A iniciativa busca atender de forma mais rápida e humanizada mulheres que, além de sofrerem violência, estejam em situação de vulnerabilidade multidimensional associada ao uso problemático de álcool, outras drogas e jogos. A parceria foi formalizada nesta quinta-feira (20), na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), em Vitória, por meio de uma Portaria Conjunta.
Na prática, a proposta cria uma ponte direta entre as forças de segurança e a Rede Abraço. Quando policiais identificarem uma mulher que precise de atendimento especializado, ela poderá ser encaminhada de forma ágil aos CAADs. Da mesma forma, mulheres acolhidas pela Rede Abraço que relatarem situações de violência serão direcionadas imediatamente às polícias para receber proteção e ter acesso aos procedimentos necessários.
O novo protocolo também estabelece pontos focais entre a Rede Abraço e os equipamentos da Sesp para facilitar a comunicação e permitir a realização de ações conjuntas.
A medida ganha relevância diante do número de mulheres já atendidas pela Rede Abraço. Desde 2019, a estratégia prestou assistência a 6.443 mulheres e alcançou outros 4.279 familiares, oferecendo suporte diante dos impactos sociais e emocionais relacionados às situações de vulnerabilidade.
Segundo o coordenador da Rede Abraço, Carlos Lopes, a integração entre segurança e acolhimento pode contribuir para interromper ciclos de violência.
“Esta parceria é um avanço histórico no fortalecimento das políticas públicas no Estado. A estratégia Rede Abraço Mulher, ao integrar a segurança pública e os Centros de Acolhimento da Rede Abraço, visa garantir um atendimento imediato, especializado e humanizado para mulheres em extrema vulnerabilidade. Unir proteção e um cuidado humanizado é um passo decisivo para romper o ciclo da violência e devolver a dignidade a essas mulheres”, afirma.
Para o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, o atendimento precisa considerar diferentes aspectos da vida das mulheres, incluindo a segurança.
“Estabelecer um protocolo para que a mulher acolhida pela Rede Abraço Mulher seja atendida pelas forças de segurança, com proteção policial e busca por justiça, é crucial para promover o cuidado e atuar preventivamente na preservação de vidas, evitando a exposição contínua à violência”, destaca.
A proposta é fortalecer quatro frentes: agilizar os encaminhamentos entre os serviços, ampliar o acesso ao atendimento psicossocial e à proteção, manter a comunicação entre as instituições e contribuir para a superação de situações de vulnerabilidade, com foco na autonomia e no desenvolvimento pessoal e social das mulheres atendidas.
O perfil das mulheres atendidas pela Rede Abraço também reforça a importância da articulação entre diferentes políticas públicas. A maioria possui renda de até um salário mínimo, e a faixa etária predominante é de 35 a 44 anos.
A Rede Abraço Mulher integra uma estratégia de acolhimento voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade e, com o novo protocolo, passa a ter uma conexão mais direta com as forças de segurança para situações que envolvam violência doméstica, familiar ou sexual.

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