Atualizado em 01/04/2025 – 12:53
Entregadores de aplicativo continuam, nesta terça-feira (01), o protesto iniciado nesta segunda-feira (31) em todo o Brasil. Com isso, o serviço está parcialmente paralisado. No Espírito Santo, trabalhadores de Vitória, Vila Velha e Guarapari aderiram ao movimento nacional. A categoria reivindica melhores condições de trabalho.
A paralisação, que recebeu o nome de “Breque Nacional dos Apps”, busca pressionar empresas que utilizam este tipo de serviço de entregas, entre elas o iFood, principal aplicativo de delivery de comida no país.
Entre as principais demandas da categoria estão:
- Ajuste do valor da taxa mínima por entrega de R$ 6,50 para R$ 10;
- Que o valor pago por km passe de R$ 1,50 para R$2,50;
- Que, em entregas por bicicleta, seja estabelecido um limite de 3 km por viagem;
- Que na junção de múltiplos pedidos no mesmo trajeto para entrega, seja paga a taxa mínima de cada entrega – o que não acontece atualmente.
Em Vitória e Vila Velha, nesta segunda-feira, mais de 100 motoristas de aplicativo se uniram e atravessaram as cidades passando pela Terceira Ponte até a Assembleia Legislativa, na capital, chamando a atenção para o movimento.
O entregador Jonathan Borges, que participou do ato, explicou que o movimento é pacífico e acontece de forma organizada. Ele explicou que a paralisação é fundamental para que as empresas prestem mais apoio aos trabalhadores.
“Se a gente, que trabalha por aplicativo, ficar lá e só ‘viver’, os aplicativos vão sempre empurrando as piores taxas para a gente, as piores condições. Até hoje, o motoboy que se acidenta, não tem amparo nenhum das empresas. Nós mesmos fazemos grupos e doamos Pix para a pessoa conseguir se recuperar, porque os aplicativos usam a gente só como número. Se acontece qualquer coisa, eles ‘tiram o corpo deles fora’, e você tem que resolver sozinho”, ressaltou.
Em Guarapari, os entregadores paralisaram os serviços na cidade nesta segunda e terça-feira, e se reuniram para percorrer as ruas do município. Segundo o trabalhador Dantes Wailly Loterio de Souza, a categoria “abraçou a causa” na cidade e recebeu apoio de alguns comerciantes, que não disponibilizaram para clientes o serviço de delivery nesta segunda-feira.
Para Dantes os atos são uma forma de chegar à essas empresas e buscar melhorias para o grupo.
“A gente não tem nenhum tipo de suporte. A última vez que o iFood atualizou a tarifa mínima, que hoje é R$6,50, foi em 2022. Então, a gente busca o reajuste durante esses três anos. A gente busca também um suporte mais humanizado para a nossa classe. O iFood não faz nenhum tipo de evento na cidade, distribuindo bags, blusas UVs, que são coisas que a gente precisa diariamente. Então tudo sai do nosso bolso: manutenção de moto, gasolina, as vestes, as bags para fazer a entrega. Está tudo subindo o preço e a nossa tarifa mínima segue R$6,50 desde 2022. Então essa manifestação aí é importante porque é a única maneira de a gente ter voz, de conseguir chegar até o iFood”, explicou.
O que diz o iFood
Em nota ao VIXFeed, o iFood afirmou que “respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras” e que, desde 2021, a empresa se dedica “à criação de uma agenda sólida e permanente de diálogo com os entregadores parceiros e representantes da categoria, para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência para estes profissionais”.
“Estamos atentos ao cenário econômico e estudando a viabilidade de um reajuste para 2025”, ressaltam na nota. Além disso, afirmam que o ganho dos entregadores foi aumentado de várias maneira nos últimos três anos: em 2022, com o ‘aumento do valor mínimo da rota em 13%, de R$5,31 para R$6,00, e do valor por quilômetro rodado em 50%, de R$1,00 para R$1,50’; em 2023 com o Reajuste da taxa mínima em 8,3%, de R$6,00 para R$6,50, acima da inflação do período (3,74% pelo INPC); e em 2024 com a ‘introdução de adicional de R$3,00 por entrega extra em rotas agrupadas’”, diz a nota.
Além disso, a empresa afirmou que o ganho bruto por hora trabalhada no iFood é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo-hora nacional, e que os entregadores parceiros têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes durante as entregas, planos de saúde, programas de educação e apoio jurídico e psicológico para casos de discriminação, assédio ou agressão sofridos pelos profissionais de delivery.
“O iFood segue disponível para o diálogo com os entregadores na busca por melhorias para os profissionais e para todo o ecossistema”, declarou a empresa em nota.

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