Atualizado em 23/02/2025 – 08:42
A última escola a entrar no Sambão do Povo, já na manhã deste domingo (23) sob um sol radiante, foi a Imperatriz do Forte. A verde e rosa capixaba levou potência para a avenida ao homenagear a história e a cultura angolanas com o enredo “Só quem sabe onde é Luanda, saberá lhe dar valor”.
A agremiação foi campeã do Grupo de Acesso A em 2024 e retornou ao Grupo Especial em 2025.
No desfile, a Comissão de Frente dançante trouxe a luminosidade da coroa, símbolo da escola, e a suntuosidade do reino de Jinga – também conhecido como reino de Matamba -, que foi fundado por Nzinga Mbandi, uma rainha guerreira que reinou na região atual da Angola no século XVII.
A escola abordou o costume das ervas, da religiosidade e da tecelagem em um primeiro momento. Depois, já abordou as identidades culturais dos movimentos populares da cultura afrodescendente: caxambu, capoeira, jongo, ticumbi. Tudo com bastante cor, por se tratar dessa miscigenação e diversidade.
A rainha de bateria Izabella Azevedo representou o “espírito da cobiça” dos que quiseram tirar toda a potência de Angola. Apesar de ser uma exímia sambista, optou por não sambar em sua passagem pela avenida, mas reproduzir movimentos próprios da dança afro, o que foi uma escolha que dialogou bem com o enredo.
Ao final do desfile, houve uma homenagem a Dona Maria Laurinda, mestra do caxambu, que hoje tem 80 anos e esteve presente no desfile.
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A destaque do carro abre alas, Jenifer Ribeiro, definiu a emoção ao concluir o percurso na avenida. “Para mim, foi uma emoção muito forte, e deu uma emoção porque é uma luta diária de comunidade, de pessoas envolvidas na escola, de subir [para o Grupo Especial] e encarar sendo a última escola, é difícil, mas a gente conseguiu, a gente tá aí na briga. E ainda trazer Angola para a avenida deu uma sensação de dever cumprido, de mulher guerreira de Luanda, de representatividade”, definiu.
Confira mais fotos do desfile:
Confira o samba-enredo:
Sou eu, um guerreiro de Matamba
A força africana de Nzinga ancestral
Onde o invasor não tem mais voz
Meu povo feroz faz reza e ritual
Aprisionado ao som da chibata
Na força das gargantas embargadas
É Ginga, ê, é Ginga
Mulher que se faz fortaleza
Calunga de Angola resiste
No imenso mar pra curar a incerteza
Bota dendê pra benzer, pra colorir o saber
E entender o poder do catiço
Se quem atiça acende vela
Faz tambor numa panela
Na tristeza dá sumiço!
Eu vou dançar maracatu, caxambu e capoeira
Manifestar minha raiz a noite inteira
Identidade de Laurinda e outros mais
Luanda, teu espírito é santo
Afasta qualquer quebranto
É canto livre de amor e paz
O meu povo é batuqueiro
De Angola, mandingueiro
O Sol de Luanda me guia pro norte
E quem não enxerga cicatriz
Faz valer sua raiz
Canta Imperatriz do Forte!
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